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TBT IEP – Engº. Flávio Suplicy de Lacerda

REITOR DA UFPR E MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Presidente do IEP: 1933 – 1934

Professor destacado na Faculdade de Engenharia, liderança emergente, o engenheiro Flávio Suplicy de Lacerda presidiu o Instituto apenas em uma gestão (1933- 1934, eleito em 25 de março e empossado dois dias depois), mas deixou sua marca na história da entidade ao comandar um grupo de profissionais da casa que criaria, em junho de 1934, o Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná, então denominado de Crea da 7ª Região). Sete meses antes, o Decreto nº 23.569, baixado por Getúlio Dornelles Vargas (“Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil”), estabeleceu a regulamentação profissional e técnica no Brasil e instituiu oficialmente o Conselho Federal daquelas profissões (Confea), que hoje é regido pela Lei nº 5.194/66. Os arquitetos, que criaram em 2011 seu próprio Conselho, não fazem mais parte do Sistema.

No IEP, o período Suplicy de Lacerda contou, nos demais cargos de diretoria, com Roberto Pimentel, vice-presidente; Ângelo Lopes (que seria secretário de Estado e prefeito de Curitiba), 1º secretário; Antonio Batista Ribas, 2º secretário; Arlindo Loyola de Camargo, tesoureiro; Alexandre Gutierrez Beltrão (outro futuro prefeito da Capital), orador; e Eduardo Chaves, redator.

A par do dia-a-dia administrativo no Instituto, onde, por exemplo se preocupou em gestionar junto ao Ministério da Agricultura para que as licenças de pesquisas de ouro no Paraná fossem dadas de preferência “aos engenheiros nacionais”, Flávio Suplicy de Lacerda dava forma ao “Crea da 7ª Região”, que foi instalado dia 11 de junho de 1934, na sede do IEP, já na segunda presidência de Arnaldo Beckert.

Naquela data, uma segunda-feira, foram eleitos os primeiros conselheiros da nova entidade: representando o IEP, João Moreira Garcez, Durval de Araújo Ribeiro, Alexandre Gutierrez Beltrão, Linneu Ferreira do Amaral, Carlos Ross e Antonio Batista Ribas; pela Congregação da Faculdade de Engenharia, Arnaldo Izidoro Beckert, Adriano Gustavo Goulin e Eduardo Fernando Chaves. Todos, na verdade, associados do Instituto.

Suplicy foi eleito presidente e fez um breve discurso destacando “o grande alcance social do Decreto 23.569/33, bem como as vantagens auferidas pela classe”, como cita o Boletim do IEP daquele ano. Arnaldo Beckert ficou com a vice-presidência, Linneu do Amaral, com a secretaria e Batista Ribas, com a tesouraria.

Um fato interessante é que em junho de 1935, a diretoria do Crea encaminhou ao Confea sua renúncia coletiva, em razão de um impasse criado pelo pedido de registro do cidadão Francisco Pinnow, arquiteto licenciado pela Escola Prussiana de Koenigsberg. O Crea era contrário, mas o Confea, em recurso, deferiu o pedido. Depois de muita discussão, chegou-se a um meio-termo: o arquiteto licenciado teria atribuições de projetar edifícios, cabendo, porém, os cálculos e projetos estruturais a engenheiros ou a arquitetos diplomados. A paz voltou a reinar no Sistema e a diretoria voltou a trabalhar normalmente.

Ministro da Educação e Cultura do Governo Castello Branco, depois de ter sido reitor da UFPR durante 15 anos consecutivos, o engenheiro e professor Flávio Suplicy de Lacerda nasceu na Lapa (PR) em 4 de outubro de 1903, filho de Manuel José Corrêa de Lacerda e de d. Alice Maria Virmond Suplicy. Diplomou-se em Agrimensura em 1922 pelo Colégio Militar de Barbacena (MG) e em Engenharia Civil, em 1928, pela Escola Politécnica de São Paulo. Foi engenheiro chefe da Rede de Viação Paraná – Santa Catarina e membro do Conselho de Transportes dos Estados do Paraná e Santa Catarina. Em 1946, exerceu o cargo de secretário de Estado de Viação e Obras Públicas, na interventoria de Brasil Pinheiro Machado.

Autor de livros importantes, como “Estudos do Fenômeno Flambagem” e “Resistência dos Materiais”, foi professor da UFPR de 1930 a 1948, quando se elegeu vice-reitor na chapa do professor João Ribeiro de Macedo Filho, que faleceu no ano seguinte. Suplicy completou o mandato, foi reeleito várias vezes e ficou no cargo até 1964, retornando três anos depois, ao deixar o ministério. Em 1949, lançou a campanha pela federalização da Universidade. Construiu o conjunto da Reitoria, o Hospital de Clínicas, a Imprensa Universitária e o Centro Politécnico, entre outros empreendimentos. Foi membro da Academia Paranaense de Letras e primeiro presidente do Instituto Goethe no Paraná. Morreu em Curitiba, em 1 de julho de 1983.

*Texto extraído do Livro Um Pioneiro A Caminho do Centenário, por Júlio Zaruch